Créditos da imagem: freepik.com

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Desde a Renascença, a humanidade tem experimentado um extraordinário avanço nas ciências exatas e tecnologia, bem como grande crescimento econômico. No entanto, quando pensamos nas ciências humanas e sociais e mesmo na forma com que temos interagido com o meio em que vivemos, percebemos que temos muitos desafios pela frente.

O nível de conhecimento acumulado nos últimos séculos é notável. Porém, a medida que o volume de conhecimento cresceu, o nível de especialização também aumentou. Nosso sistema educacional, incluindo as universidades (apesar da etimologia do seu nome), lida com o conhecimento de forma compartimentada. Os tópicos são divididos entre departamentos e especialidades e a interface entre diferentes áreas é muitas vezes ignorada. Consequentemente, as pessoas perderam a capacidade de ver as coisas e eventos através de uma perspectiva sistêmica.

O resultado é uma sociedade em crise com corrupção, governos com estruturas pesadas, burocráticas e ineficientes, baixa produtividade em muitos setores, regiões e países, crise de energia, desigualdade social, violência, fome, crise de água, poluição atmosférica, entre outros desafios. Mas, se buscarmos a causa raiz de todos esses problemas, veremos que tudo se resume a perspectiva fragmentada que as pessoas têm do mundo que nos rodeia. Vivemos em uma sociedade em que cada pessoa e cada grupo procura atingir os seus objetivos e interesses, sem uma visão do todo ou uma estratégia de longo prazo sustentável.

A compreensão de um sistema é limitada pelo ponto de vista do observador ou grupo de observadores. Sendo assim, discussões de qualidade, especialmente entre membros de diferentes grupos, são fundamentais no processo de busca de uma visão sistêmica.

O pensamento intuitivo é outra importante ferramenta para o desenvolvimento de uma visão sistêmica. Precisamos dedicar tempo a reflexão, aqueles momentos de silêncio quando deliberadamente fazemos uma pausa para limpar e recalibrar nossas mentes.

Para construir uma ponte entre uma visão fragmentada e uma perspectiva sistêmica, temos que promover o desenvolvimento do diálogo, da cooperação e do pensamento intuitivo; assim como redesenhar nosso sistema de ensino com esse objetivo. Apenas através de uma abordagem sistêmica seremos capazes de superar os paradoxos econômicos, sociais, políticos e ecológicos em que hoje, não apenas o Brasil, mas toda a humanidade está mergulhada.


Maurício Roscoe é Engenheiro civil, diretor-presidente da M. Roscoe Engenharia e Construção e da Paraúna Administração, ex-presidente da Fiemg e presidente do Conselho Consultivo da União Brasileira para a Qualidade – UBQ