UBQ: Estudos indicam que as maiores dificuldades das empresas está na implementação das estratégias e não na formulação. Como o Balanced Scorecard ajuda as empresas nesta questão?

Maria Auxiliadora: O BSC simplifica o processo de implementação da estratégia ao apresentar um caminho estruturado, passo-a-passo, que vincula os processos e o dia-a-dia das organizações aos grandes desafios de futuro. Quando falamos em implementar a estratégia estamos diante de um processo que envolve muitas variáveis, desde o comprometimento e patrocínio da liderança até a reformulação das reuniões de gestão que devem ser realizadas por toda a organização. Nesse sentido, estamos falando não somente de técnica, mas principalmente de pessoas e, assim, o processo pode se tornar muito complexo caso não se tenha uma metodologia que oriente. E o BSC consegue dar essa orientação de forma simples e eficaz, garantindo foco e alinhamento, conforme demonstram muitas empresas ao redor do mundo que já implementaram e obtiveram sucesso e apresentaram elevado desempenho de gestão e de resultados.

UBQ: O que as empresas normalmente procuram quando implementam o BSC?

M.A: Aprimorar seus processos de gestão para garantir o alcance de suas metas futuras. Também, implementar na organização a visão de futuro e de sustentabilidade para suas decisões de investimento no curto prazo. Ao clarear o caminho que a organização deve seguir para se alcançar a sua visão de futuro (desenhar a estratégia em termos operacionais), os gestores conseguem direcionar a organização para um único foco e todos os envolvidos passam a rever seus esforços e trabalho em um processo contínuo de aprendizado. O BSC possibilita que as organizações olhem para frente e tomem decisões para o futuro e não percam muito tempo analisando e se questionando sobre problemas passados.

UBQ: Como fazer para que as estratégias sejam entendidas pelas pessoas, inclusive as operacionais?

M.A: Estruturando um plano de comunicação que respeite as especificidades de cada público existente dentro da organização e garantindo um patrocínio explícito de toda a liderança. Outro ponto muito importante é o entendimento de que comunicação deve ser um processo contínuo e não um projeto de começo-meio-fim. Deve-se garantir que os vários canais de comunicação sejam utilizados, lembrando-se sempre de que a comunicação direta, face-a-face é a mais eficaz. Também, é importante ressaltar a relevância de se garantir que a mensagem a ser passada esteja alinhada em toda a organização e que haja um canal aberto de dúvidas e sugestões para promover um diálogo.

UBQ: Como fazer com que as atividades operacionais tenham vínculo com as questões estratégicas?

M.A: Em última instância todas as atividades empreendidas somente fazem sentido se relacionadas com o objetivo maior da organização, que é o alcance de sua estratégia. É necessário lembrarmos que a estratégia se torna real somente quando executada por todos na organização. Assim, através de um processo de desdobramento conseguimos fazer a ponte entre o “mundo” estratégico e o operacional. Esse processo se dá pelo entendimento da contribuição que cada parte da organização dá para a realização da estratégia.

UBQ: Quais competências essenciais as pessoas e as empresas devem ter para que a visão e as estratégias sejam alcançadas?

M.A: Principalmente conhecer muito bem o próprio negócio, espírito de equipe, abertura para aceitar e realizar mudanças, forte liderança, comprometimento e ambiente propício para o diálogo. E, não podemos deixar de registrar, amadurecimento para constantemente aprender com os erros sem buscar culpados.

UBQ: Como está o uso do BSC no Brasil, em relação a outros países?

M.A: Conforme pesquisa realizada este ano no mundo inteiro pela Bain & Company sobre o uso e satisfação do BSC em cada região, 60% das empresas pesquisadas da América Latina aplicam o Balanced Scorecard, abaixo de outras regiões, como a Ásia (71% das empresas pesquisadas). Entretanto, a satisfação é superior à das outras regiões devido à preservação da essência metodológica. Dentro da América Latina, o Brasil, juntamente com o México, são os dois grandes usuários da metodologia.

UBQ: As empresas brasileiras estão conseguindo implementar o BSC e ter sucesso?

M.A: Parcialmente. É importante destacar que o sucesso obtido por essas organizações está diretamente relacionado com a fidelidade na aplicação da metodologia conforme preconizada por seus criadores, Drs. David Norton e Robert Kaplan. Também, como fator chave e fundamental estão o patrocínio, envolvimento e comprometimento explícito da liderança maior dessas organizações à frente do processo de transformação que a implementação da estratégia promove.