A-
A+

Entrevista: Vice-governador de Minas Gerais, Antonio Augusto Junho Anastasia

14/12/2009

anastasia
COPA 2014:

“Uma nova imagem de Minas no mundo”

Minas Gerais está preparada para sediar a Copa do Mundo de 2014? Esse é um dos grandes questionamentos que vem sendo feito desde o anúncio oficial realizado pela Fifa. Para falar sobre os desafios que o Estado enfrentará para receber o evento e as oportunidades que o mesmo vai gerar, o Sinergia conversou com o vice-governador de Minas e professor Antonio Augusto Junho Anastasia.

Sinergia: Para realizar uma copa do mundo de altíssima qualidade o Governo de Minas implantou o Núcleo de Gestão das Copas. Qual o papel desse Núcleo?

Anastasia: Em junho de 2009, o governador Aécio Neves determinou a criação do Núcleo de Gestão da Copa das Confederações 2013 e da Copa do Mundo 2014, presidido por mim. Mais do que ser uma das cidades-sede das Copas, o governador Aécio expressou o desejo, um desejo de todos os mineiros, de que Belo Horizonte se preparasse para ser a melhor sede desses importantes eventos esportivos, que mobilizam milhões de pessoas em todo o mundo.

Nosso objetivo, o objetivo do Governo de Minas, com a criação do Núcleo Gestor das Copas, é planejar e executar todas as ações que são de nossa responsabilidade para que Belo Horizonte esteja pronta para receber os jogos e o faça de maneira formidável, para que todos nós possamos usufruir dos benefícios que resultam de tais acontecimentos, como o incremento da economia por meio do turismo; os ganhos em infraestrutura; a promoção dos esportes para nossa juventude, e muitos outros.

Portanto, temos no Núcleo as atribuições de monitorar e efetivar as ações que viabilizarão Belo Horizonte como uma das cidades-sedes da Copa de 2014, articulando em estreita parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, a União e a sociedade civil organizada para execução de ações conjuntas.

Sinergia: Durante um evento realizado pela Fundação Dom Cabral, em Nova Lima, o senhor destacou que a estratégia de preparação para a Copa 2014, em Belo Horizonte, será organizada em três frentes de trabalho: modernização do Mineirão e estádios alternativos, preparação pré-copa e operação copa. Em linhas gerais, como essas frentes serão desenvolvidas?

Anastasia: Em Minas, com o nosso modelo de gestão pública, já reconhecido internacionalmente, temos como base o planejamento cuidadoso de todas as ações governamentais. Então, estamos tentando fazer tudo de maneira muito correta, utilizando o que há de melhor no Brasil e no mundo para cumprirmos a orientação do governador Aécio Neves, que determinou que Belo Horizonte não deveria apenas ser uma das sedes, mas sim a melhor delas.

Em linhas gerais, trata-se da estratégia de preparação para as Copas. Dentro desse planejamento, temos como foco atual a modernização do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, e a necessidade de termos estádios alternativos, pois o Mineirão ficará fechado a partir de junho de 2010 até dezembro de 2012, e temos o Campeonato Mineiro, o Campeonato Brasileiro e outros que precisam de estádios em condições para a realização dos jogos. Para isso, estamos investindo nas reformas do Estádio Henrique Nogueira (Nogueirão), em Sete Lagoas, conhecido como Arena do Jacaré, e do Estádio Independência, em Belo Horizonte.

Sinergia: De acordo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, a estrutura dos aeroportos do Brasil é um grave problema para a Copa do Mundo de 2014. Quais são os planos do Governo de Minas para a infraestrutura aeroportuária?

Anastasia: Essa questão também está incluída no planejamento estratégico, a questão dos acessos a Belo Horizonte e ao Mineirão, incluindo a infraestrutura aeroportuária e de mobilidade urbana.

Contratamos uma grande empresa internacional de Cingapura, a maior empresa do mundo em matéria aeroportuária, e foi elaborado um grande plano, chamado Master Plan, para o Aeroporto Tancredo Neves, em Confins. É um plano muito ambicioso, contratado e pago pelo Governo de Minas e entregue a Infraero, ao governo federal, que o recebeu muito bem.

No início de novembro, o governador Aécio e o presidente da Infraero, Murilo Barboza, anunciaram a ampliação do terminal 1 do Aeroporto Internacional em Confins e a contratação do projeto executivo para a construção do terminal 2. O objetivo é chegar a 2013 com a atual capacidade de 5 milhões de passageiros/ano ampliada para 12 milhões/ano. As obras no terminal 1 serão iniciadas em janeiro de 2010 e receberão investimentos iniciais da Infraero de R$ 12 milhões, vindos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Infraero garantiu que a ampliação da fase 1 e a implantação da primeira etapa do terminal 2 serão concluídas a tempo de atender os passageiros que estarão em Belo Horizonte para a Copa das Confederações em 2013 e para a Copa do Mundo de 2014.

Ainda é bom lembrar que nessa questão da mobilidade, o principal investimento do Governo de Minas já finalizado, foi a Linha Verde, via de trânsito rápido que liga o Centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. É o mais extenso corredor de tráfego da capital mineira, com 35 km, integrado ao sistema de trânsito da RMBH, vital para atender o fluxo de turistas durante a Copa.

Outra ação importantíssima é a conclusão de toda a obra de alargamento da Avenida Antônio Carlos, um dos principais corredores de acesso ao estádio do Mineirão. Na primeira quinzena de janeiro de 2010 será inaugurado um trecho de um quilômetro na avenida. Quando concluído o projeto, a avenida terá suas pistas ampliadas no trecho de 3,9 quilômetros que vai do bairro São Francisco (Anel Rodoviário) até o Complexo da Lagoinha, na região central.

O Governo de Minas assumiu em janeiro deste ano a terceira e última fase da obra de alargamento da avenida, no trecho entre a Rua Operários e o Complexo da Lagoinha, no Centro da cidade. O Estado está investindo R$ 190 milhões nessa fase, com contrapartida de R$ 60 milhões da Prefeitura de BH.

Sinergia: Ainda sobre infraestrutura, a Copa de 2014 vai atrair um grande volume de turistas. A rede hoteleira do Estado assim como a segurança, transporte e saúde estão preparados para receber essa demanda?

Anastasia: Primeiro ressalto que a política de segurança pública de Minas, apoiada nos pilares da integração das forças de segurança, da prevenção à criminalidade e da expansão e modernização do sistema prisional tem tido resultados de grande impacto no Estado, com a redução sistemática dos índices de criminalidade violenta em todas as regiões de Minas. Em 2008, alcançamos uma queda significativa desses índices, chegando a 17% de redução, com um patamar de ocorrências inferior ao registrado há quase dez anos, ou seja, em 2002, tivemos 437 ocorrências de crimes violentos por cem mil habitantes em Minas. Já em 2008, ocorreram 357 casos por cem mil habitantes.

Nosso planejamento prevê a continuidade dessa política, comprovadamente acertada, para melhorarmos ainda mais, Além disso, para os eventos das Copas, as ações de segurança também deverão ser tratadas de forma integrada entre a Polícia Militar de Minas Gerais, a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

No que diz respeito ao Mineirão, contaremos com um sistema de vigilância videodigital com câmeras internas e externas com suporte giratório e capacidade de zoom, que serão operadas a partir de uma sala de controle central. Os ingressos serão eletrônicos e o estádio será equipado com um sistema de controle de acesso, sistemas de abertura e fechamento de portas e sistemas eletrônicos. Todos esses sistemas serão acoplados ao de vídeo-vigilância.Também serão construídas novas saídas de emergência e aprimorada a circulação interna com a construção de novas saídas para público.

Na questão da saúde, a Região Metropolitana de Belo Horizonte conta com cinco hospitais qualificados para o atendimento à necessidade de tratamento especializado para atletas: Hospital das Clínicas da UFMG; Hospital João XXIII; Hospital Municipal Odilon Behrens; Hospital Risoleta Tolentino Neves; e o Hospital Sarah Kubitschek Belo Horizonte.

Além disso, o Governo de Minas está investindo cerca de R$17,5 milhões na construção de unidades de pronto atendimento nos municípios de Ribeirão das Neves, Vespasiano, Ibirité, Pedro Leopoldo e Santa Luzia, descentralizando e ampliando a capacidade de atendimento na RMBH. Sobre a questão hoteleira, a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur-MG) contabiliza atualmente 15 mil quartos na capital, que seriam suficientes para hospedar 30 mil pessoas. Esses números cobrem com folga a exigência da Fifa, ou 20% da capacidade do estádio que abrigará os jogos. Como o Mineirão terá 70 mil assentos, a rede hoteleira de BH deverá oferecer pelo menos 14 mil leitos.

Dados da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABHI/MG), mostram que Belo Horizonte, Região Metropolitana (34 municípios) e Colar Metropolitano (14 municípios), contam com 24.712 leitos disponíveis para turistas. A Match Service, empresa contratada pela Fifa para tratar das acomodações, bilheterias e centros de hospitalidade da Copa do Mundo 2014, tem realizado trabalho conjunto com a Setur, Belotur (ligada à PBH) e Associação Brasileira de Indústria Hoteleira para garantir o número de leitos necessários para realização do grande evento esportivo.

Belo Horizonte possui um hotel cinco estrelas, o Ouro Minas, o que atende à exigência da Fifa.

O local terá de 50% a 80% de sua capacidade reservada para abrigar seleções e delegações. De acordo com o Caderno de Encargos, estão em fase de implantação em Belo Horizonte o Ibis Savassi (200 leitos) e o Novotel, em Lourdes. Para a Região Metropolitana também estão previstos os seguintes investimentos hoteleiros: em Inhotim, o Design Resorts ( dois resorts e dois campos de golfe ), além de um hotel com 330 unidades habitacionais e uma pousada com 43 UH (previsão 2010). Existem ainda outros diversos empreendimento hoteleiros em fase de análise.

Sinergia: Para realizar o plano de obras já anunciado, o Governo de Minas Gerais vai precisar de investimentos públicos e da iniciativa privada. Qual será a estratégia usada para atrair estes investimentos? Quanto é esperado?

Anastasia: Eu seria leviano de falar quanto nós movimentaríamos no evento. Não sabemos. Por isso a importância de um planejamento estratégico, bem elaborado, monitorado e executado. Mas, como já falamos, está entre as atribuições do Núcleo Gestor das Copas a articulação com outras instâncias governamentais e com a sociedade civil, inclusive a iniciativa privada. Temos realizado encontros, seminários de negócios, o que, com certeza vai resultar em grandes empreendimentos e parcerias.

Sinergia: Sediar os jogos é um grande desafio, mas por outro lado representa excelentes oportunidades para o Estado. Que Minas Gerais teremos em 2015?

Anastasia: Uma nova imagem de Minas no mundo, sustentada em avanços reais na qualidade de vida dos mineiros, principalmente, com um Mineirão moderno e sustentável, administrado com padrão internacional; com vias urbanas modernizadas, transporte de massas eficientes e Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN) completamente adequado para viabilizar a nova inserção internacional de Minas; ambiente favorável aos investimentos privados e capital humano qualificado para atender a demanda dos novos investimentos.